sexta-feira, 28 de março de 2014

Quanta Diferença!

Muito se fala na mídia sobre a diferença do futebol europeu para o sul-americano. De fato a diferença é bem grande. Entretanto, sempre que vamos exemplificar usamos times europeus como Bayern de Munique, o Barcelona, Chelsea etc. Estes times possuem os maiores craques do mundo e o valor de um jogador desses times compra um time inteiro do Brasil. O valor do elenco do Barcelona ou do Bayern por exemplo, é provavelmente superior ao de todos os clubes brasileiros somados. São equipes que conseguem ser superiores até mesmo às seleções de seus países. O Barcelona é simplesmente a seleção espanhola, com um reforçozinho de um tal de Messi. Os outros jogadores que compõem a dita seleção são do mesmo nível ou inferiores aos do Barça.

Então seria esta a razão da diferença, o poder econômico? Não simplesmente. Fato é que o modelo de jogo adotado na Europa prescinde de jogadores de maior qualidade. O Audax de São Paulo tentou esboçar algo parecido ao modelo europeu no campeonato paulista, mas sem jogadores qualificados não foi muito longe. Mas frise-se ter sido louvável a iniciativa. Os times europeus de médio e pequeno porte talvez também não  teriam muito sucesso no campeonato brasileiro, mesmo com o jeito diferente de jogar.

O modelo europeu, no entanto, tem algumas questões táticas muito mais evoluídas do que o modelo sul-americano, tais como:
Compactação: A distância entre o defensor mais recuado e o atacante mais avançado é de no máximo meio campo, aqui chega a ser de dois terços do campo..
Aproximação: No futebol europeu existe o "abafa" onde dois ou mais jogadores se juntam para roubar a bola, aqui se um jogador prende a bola apenas um adversário tenta o bote, o resto fica olhando.
Movimentação: Na Europa um jogador com a bola tem sempre duas ou mais opções de passe, sendo que durante a jogada os jogadores não se prendem ás suas posições originárias. Aqui se um lateral recebe a bola na linha de fundo, os outros jogadores ao invés de se aproximarem para chegarem na área envolvendo o adversário no toque, correm todos para a área e esperam que o lateral consiga superar o defensor e ainda cruzar perfeitamente, o que raramente acontece.
Cautela na definição: na Europa os times tocam a bola enquanto não encontram uma possibilidade realmente efetiva de dar uma assistência ou tentar o gol. Aqui os jogadores sempre tentam a jogada aguda, o passe em profundidade, o balão pra área, o chute precipitado, o lançamento de grande distância. A maioria dá errado.

Talvez estas sejam as maiores diferenças, além dos vícios dos sul-americanos de conduzir demais a bola, de só pensar no que vai fazer depois que recebe a bola, dentre outros.

Uma questão porém, ainda retrógrada em ambos os modelos é a marcação por zona, que será assunto de outra postagem.

Os técnicos brasileiros parecem não enxergar estas diferenças, ou, se enxergam, não tem coragem ou competência para implantá-las, enquanto isso ficamos admirando o futebol europeu que faz coisas tão simples, mas contrária à cultura de nosso futebol e por isso difíceis de vermos por aqui.

Fica aqui  minha esperança na vitória do Brasil na Copa do Mundo. Primeiro porque o torneio é de mata-mata (ou apenas "mata", já que é um jogo só), segundo porque a maioria dos jogadores da seleção jogam na Europa o que deve melhorar a tática da seleção, além da Copa ser no Brasil e ter como técnico um grande motivador (nada mais que isso, mas talvez seja o diferencial numa copa) como o Felipão.

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