Muito se fala na mídia sobre a diferença do futebol europeu para o sul-americano. De fato a diferença é bem grande. Entretanto, sempre que vamos exemplificar usamos times europeus como Bayern de Munique, o Barcelona, Chelsea etc. Estes times possuem os maiores craques do mundo e o valor de um jogador desses times compra um time inteiro do Brasil. O valor do elenco do Barcelona ou do Bayern por exemplo, é provavelmente superior ao de todos os clubes brasileiros somados. São equipes que conseguem ser superiores até mesmo às seleções de seus países. O Barcelona é simplesmente a seleção espanhola, com um reforçozinho de um tal de Messi. Os outros jogadores que compõem a dita seleção são do mesmo nível ou inferiores aos do Barça.
Então seria esta a razão da diferença, o poder econômico? Não simplesmente. Fato é que o modelo de jogo adotado na Europa prescinde de jogadores de maior qualidade. O Audax de São Paulo tentou esboçar algo parecido ao modelo europeu no campeonato paulista, mas sem jogadores qualificados não foi muito longe. Mas frise-se ter sido louvável a iniciativa. Os times europeus de médio e pequeno porte talvez também não teriam muito sucesso no campeonato brasileiro, mesmo com o jeito diferente de jogar.
O modelo europeu, no entanto, tem algumas questões táticas muito mais evoluídas do que o modelo sul-americano, tais como:
Compactação: A distância entre o defensor mais recuado e o atacante mais avançado é de no máximo meio campo, aqui chega a ser de dois terços do campo..
Aproximação: No futebol europeu existe o "abafa" onde dois ou mais jogadores se juntam para roubar a bola, aqui se um jogador prende a bola apenas um adversário tenta o bote, o resto fica olhando.
Movimentação: Na Europa um jogador com a bola tem sempre duas ou mais opções de passe, sendo que durante a jogada os jogadores não se prendem ás suas posições originárias. Aqui se um lateral recebe a bola na linha de fundo, os outros jogadores ao invés de se aproximarem para chegarem na área envolvendo o adversário no toque, correm todos para a área e esperam que o lateral consiga superar o defensor e ainda cruzar perfeitamente, o que raramente acontece.
Cautela na definição: na Europa os times tocam a bola enquanto não encontram uma possibilidade realmente efetiva de dar uma assistência ou tentar o gol. Aqui os jogadores sempre tentam a jogada aguda, o passe em profundidade, o balão pra área, o chute precipitado, o lançamento de grande distância. A maioria dá errado.
Talvez estas sejam as maiores diferenças, além dos vícios dos sul-americanos de conduzir demais a bola, de só pensar no que vai fazer depois que recebe a bola, dentre outros.
Uma questão porém, ainda retrógrada em ambos os modelos é a marcação por zona, que será assunto de outra postagem.
Os técnicos brasileiros parecem não enxergar estas diferenças, ou, se enxergam, não tem coragem ou competência para implantá-las, enquanto isso ficamos admirando o futebol europeu que faz coisas tão simples, mas contrária à cultura de nosso futebol e por isso difíceis de vermos por aqui.
Fica aqui minha esperança na vitória do Brasil na Copa do Mundo. Primeiro porque o torneio é de mata-mata (ou apenas "mata", já que é um jogo só), segundo porque a maioria dos jogadores da seleção jogam na Europa o que deve melhorar a tática da seleção, além da Copa ser no Brasil e ter como técnico um grande motivador (nada mais que isso, mas talvez seja o diferencial numa copa) como o Felipão.
sexta-feira, 28 de março de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
Lugar de Craque é na seleção!
É inconcebível que jogadores comuns figurem na seleção brasileira em detrimento da convocação de craques. Craque é aquele jogador diferenciado, um superdotado da bola, capaz de coisas inusitadas, sem muito tempo pra pensar e com eficiência. A seleção brasileira tem hoje meio campo armadores de boa qualidade, como Oscar e Willian, mas eles não são craques. Em 2010 vimos uma seleção pessimamente convocada com jogadores comuns como Julio Batista, Josué, Elano, Kléberson, Grafite, enquanto Alex, então do Fenerbahce, nem foi lembrado, sem falar em Neymar e Adriano que vinha de um Brasileirão espetacular pelo Flamengo em 2009.
Em que pese hoje a seleção Brasileira ser bem melhor que aquela, um jogador, que tem sido vítima da incompetência de seus técnicos e deficiência de seus companheiros, tem me provado este sentimento de injustiça com um craque: Paulo Henrique Ganso. Jogador que consegue ver o jogo de forma diferenciada, que sempre acha um companheiro para passar a bola (me lembra Veron e Riquelme no toque de bola), e capaz de fazer um golaço como fez contra o Corinthians ontem (09/02/2014), não pode ser preterido na seleção por jogadores comuns.
Ganso tem jogado errado no São Paulo. ele precisa voltar mais, atrás da linha da bola, para armar as jogadas, tal como se fosse um quarterback do futebol norte-americano procurando companheiros que se achem na "end zone", no caso, na grande área, e ainda devendo se apresentar mais para finalizações, seja de fora da área, seja chegando de trás na pequena área, fazendo gols. Futebol para ser o craque da seleção ele tem. É até mais genial (em questão de inteligência para jogar futebol) que o próprio Neymar, basta ser melhor posicionado em campo. Neymar tem sido mais efetivo porque depende menos dos outros (jogadores e técnicos).
Espero que o Felipão tenha a capacidade de enxergar como o Ganso poderia fazer diferença no meio de jogadores mais qualificados e não deixar mais um craque fora da Copa como fez o Dunga em 2010, lamentavelmente.
Em que pese hoje a seleção Brasileira ser bem melhor que aquela, um jogador, que tem sido vítima da incompetência de seus técnicos e deficiência de seus companheiros, tem me provado este sentimento de injustiça com um craque: Paulo Henrique Ganso. Jogador que consegue ver o jogo de forma diferenciada, que sempre acha um companheiro para passar a bola (me lembra Veron e Riquelme no toque de bola), e capaz de fazer um golaço como fez contra o Corinthians ontem (09/02/2014), não pode ser preterido na seleção por jogadores comuns.
Ganso tem jogado errado no São Paulo. ele precisa voltar mais, atrás da linha da bola, para armar as jogadas, tal como se fosse um quarterback do futebol norte-americano procurando companheiros que se achem na "end zone", no caso, na grande área, e ainda devendo se apresentar mais para finalizações, seja de fora da área, seja chegando de trás na pequena área, fazendo gols. Futebol para ser o craque da seleção ele tem. É até mais genial (em questão de inteligência para jogar futebol) que o próprio Neymar, basta ser melhor posicionado em campo. Neymar tem sido mais efetivo porque depende menos dos outros (jogadores e técnicos).
Espero que o Felipão tenha a capacidade de enxergar como o Ganso poderia fazer diferença no meio de jogadores mais qualificados e não deixar mais um craque fora da Copa como fez o Dunga em 2010, lamentavelmente.
quinta-feira, 6 de março de 2014
O peladeiro!
Peladeiro sempre foi o apelido daquele jogador meio desengonçado, que joga sem posição definida, tal como um jogador amador de peladas, sem muita organização e compromisso tático. E um jogador nesse estilo tem feito a diferença no time do Cruzeiro. Ricardo Goulart. Ninguém sabe definir a verdadeira posição dele. Um meia, um atacante, um ponta de lança? Eu o definiria simplesmente como "Um peladeiro". Ocorre que em um time bem organizado como o Cruzeiro, esse jogador que ora arma, ora define, ora marca e faz tudo sempre como muita raça, tem feito a diferença. Ele não é um craque, não tem muita habilidade, nem tanta velocidade, mas sua movimentação o deixa praticamente imarcável, pelo menos no nosso ainda atrasado futebol, onde praticamente todas as equipes do mundo fazem marcação por zona e não individual.
Acredito que esse ano o Cruzeiro fature pelo menos dois dos quatro títulos que disputará (Mineiro, Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão- Tem ainda o Mundial, quem sabe?) e certamente Ricardo Goulart será um dos artilheiros. Ano passado ele fez muitos gols, mas perdia pelo menos o triplo de oportunidades. Se ele fizer metade das oportunidades que tem, vai dar o que falar!
Acredito que esse ano o Cruzeiro fature pelo menos dois dos quatro títulos que disputará (Mineiro, Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão- Tem ainda o Mundial, quem sabe?) e certamente Ricardo Goulart será um dos artilheiros. Ano passado ele fez muitos gols, mas perdia pelo menos o triplo de oportunidades. Se ele fizer metade das oportunidades que tem, vai dar o que falar!
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